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| Imagem: Reprodução/Nintendo |
Aos 74 anos, Shigeru Miyamoto continua participando ativamente de alguns dos principais projetos da Nintendo, embora sua atuação esteja hoje muito mais voltada para iniciativas como os filmes da empresa e os parques temáticos Super Nintendo World do que para o desenvolvimento direto de jogos. Em entrevista publicada pela revista Famitsu, o criador do Mario comentou como enxerga seu futuro na companhia, revelou que ainda pode voltar a dirigir um jogo caso surja uma ideia especial e compartilhou um curioso sonho envolvendo os Miis.
Questionado sobre a possibilidade de voltar a liderar o desenvolvimento de um jogo, Miyamoto explicou que isso não faz parte de seus planos imediatos, mas não descartou completamente a possibilidade.
Neste momento, não estou pensando nisso. Mas, no caso de Pikmin Bloom, participei porque era um projeto que eu realmente queria fazer. Dependendo do tema, se surgir algo interessante, talvez chegue o momento em que eu queira assumir novamente. O conhecimento eu ainda tenho (risos). Hoje em dia, para produzir um único jogo, é preciso envolver cerca de 200 pessoas, e isso torna tudo muito mais difícil. Os filmes também são grandes produções, mas nelas existem profissionais especializados que mantêm toda a estrutura funcionando. Já os produtores no set de filmagem ficam realmente muito ocupados.
Ao falar sobre seus objetivos para os próximos anos, Miyamoto afirmou que não possui um projeto específico que deseje realizar, mas gostaria de iniciar movimentos capazes de envolver um grande número de pessoas. Apesar da idade, o desenvolvedor disse que deseja continuar contribuindo para a Nintendo pelo maior tempo possível, ainda que encare essa continuidade com bom humor.
Não existe nada específico que eu queira fazer. Eu ficaria feliz se pudesse dar início a algum movimento do qual 'todo mundo e até seus cachorros' quisessem participar, mas não há nenhum projeto que eu sinta que precise acompanhar até o fim. Minha família vive dizendo: 'Você não acha que já está na hora de parar?' (risos).A frase 'espero que possamos continuar' resume perfeitamente o que sinto. Durante as filmagens costumamos brincar dizendo: 'Não seria nenhuma surpresa se eu desmaiasse amanhã, então estejam preparados' (risos). Eu apenas espero que possamos continuar trabalhando sem maiores problemas.
Miis e o futuro global imaginado por Miyamoto
| Imagem: Reprodução/Nintendo |
Outro trecho curioso da entrevista surgiu quando Miyamoto passou a falar sobre os Miis, avatares criados pelos jogadores desde a época do Wii. Segundo ele, sempre achou interessante a dedicação dos jogadores ocidentais na criação de seus personagens e acredita que essa tecnologia ainda possui um enorme potencial.
...o interessante é que os jogadores ocidentais realmente se dedicam muito à criação de seus Miis. Antigamente se dizia que os Miis não representavam tão bem os rostos das pessoas do Ocidente, então fico feliz em ver isso mudar. Acho que seria muito interessante se eles deixassem de estar restritos a Pikmin Bloom e pudessem ser vinculados às contas Nintendo, permitindo reunir centenas de milhões de Miis.
Miyamoto também revelou um detalhe técnico pouco conhecido: os Miis ocupam pouquíssimo espaço na memória graças à filosofia de desenvolvimento da Nintendo, que sempre buscou obter o máximo resultado utilizando o mínimo possível de recursos:
Os Miis utilizam pouquíssima memória. A Nintendo sempre foi muito cuidadosa em conseguir o maior efeito possível usando a menor quantidade de memória. Normalmente, um avatar pode ocupar vários megabytes, mas um Mii é formado por apenas algumas centenas de bytes. Esse design compacto surgiu porque queríamos armazenar dezenas de personagens dentro de um Wii. Graças a isso, seria possível guardar centenas de milhões de Miis utilizando uma quantidade muito pequena de memória.
Por fim, o desenvolvedor compartilhou uma ideia bastante inusitada: a possibilidade de que, um dia, os Miis façam parte da identidade oficial das pessoas ao redor do mundo.
Não seria interessante se, no futuro, os personagens Mii estivessem vinculados aos documentos de identidade das pessoas em todo o mundo? Não consigo deixar de imaginar se isso um dia poderá acontecer. Talvez eu esteja falando de algo que parece um segredo da empresa, mas acredito que esse tipo de ideia merece ser compartilhado (risos). Pensar nessas possibilidades é o que torna cada dia divertido.
A proposta pode parecer absurda, mas ilustra a forma como Shigeru Miyamoto continua pensando além dos videogames. Mesmo após mais de quarenta anos ajudando a moldar a história da Nintendo, o designer segue demonstrando interesse por novas maneiras de aproximar tecnologia, criatividade e identidade digital, mantendo viva a curiosidade que deu origem a personagens como Mario, Donkey Kong, e aos próprios Miis.
E você, querido(a) leitor(a)? Gostaria de ver os Miis integrados a outros serviços da Nintendo no futuro ou prefere que eles permaneçam apenas nos jogos? Comente na seção abaixo ou nas redes sociais do Reino do Cogumelo!
