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| Imagem: Reprodução/Nintendo |
Qual é o segredo para a Nintendo permanecer entre as empresas mais admiradas da indústria dos videogames por mais de quatro décadas? Para Shigeru Miyamoto, a resposta não está em seguir modismos nem em perseguir resultados financeiros imediatos. Em entrevista concedida à revista Famitsu, o criador do Mario afirmou que a filosofia da companhia sempre foi desenvolver jogos divertidos para os jogadores, deixando em segundo plano preocupações com tendências passageiras ou conceitos financeiros como a recuperação rápida do investimento.
Segundo Miyamoto, a empresa procura pensar primeiro em quem realmente importa: o público que compra seus jogos. Em vez de perguntar "o que está em alta neste momento?", a equipe busca compreender como criar experiências capazes de divertir pessoas de diferentes idades e culturas, mesmo muitos anos depois de seu lançamento.
O motivo de a Nintendo receber um apoio tão forte no mundo inteiro é muito simples: nós não começamos perguntando 'o que está em alta agora?'. Em vez disso, pensamos em para quem estamos criando. Afinal, quem é que está pagando por isso? Eu realmente não gosto de termos como 'depreciação' ou 'recuperar o investimento'. Quem financia esses projetos quer obter lucro, naturalmente, mas por que deveríamos comemorar apenas o fato de termos recuperado o investimento ou obtido lucro no curto prazo? Para mim, se você consumiu o talento de tantas pessoas apenas para alcançar isso, então foi um enorme fracasso.
O designer explicou que, durante toda a sua carreira, procurou desenvolver produtos que correspondessem à ideia de diversão imaginada pela equipe. Para ele, criar pensando exclusivamente no retorno financeiro imediato dificulta o surgimento de obras realmente originais. Miyamoto também comentou que o relacionamento ideal entre os criadores e a empresa acontece quando um projeto recebe o tempo necessário para amadurecer, sendo recompensado posteriormente pelo sucesso comercial.
Sempre nos concentramos em criar o melhor produto possível para concretizar a ideia de diversão que imaginamos. Acho que essa é a única diferença. Talvez eu pareça um pouco arrogante ao dizer isso (risos), mas, se você cria algo perguntando o tempo todo 'será que isso vai fazer dinheiro imediatamente?', acaba sendo incapaz de produzir algo verdadeiramente único ou com amplo apelo.O relacionamento ideal entre nós e a empresa é quando ouvimos comentários como: 'Ainda bem que confiamos esse projeto a vocês. Demorou um pouco, mas tivemos um enorme sucesso.' No fim das contas, tudo depende de conseguirmos continuar trabalhando dessa forma.
Outro ponto destacado pelo desenvolvedor é que ideias profundamente pessoais costumam alcançar pessoas do mundo inteiro com muito mais facilidade do que projetos concebidos apenas para agradar ao maior número possível de consumidores. Por esse motivo, seu principal conselho aos desenvolvedores da Nintendo continua sendo incentivar a autenticidade durante o processo criativo.
Curiosamente, aquilo que é mais 'local' — como os hobbies e interesses pessoais de alguém — costuma ser justamente o que mais ressoa em escala global. Por outro lado, quando você tenta criar algo apenas porque parece ter um apelo universal, acaba produzindo uma obra genérica, daquelas em que ninguém consegue perceber quem a criou. E esse tipo de produto, na verdade, não possui força global. É por isso que, quando alguém da empresa me pergunta o que deve fazer, o único conselho que consigo dar é: transforme sua ideia em um produto de uma forma que deixe claro que foi você quem a criou.
Ao longo da entrevista, Miyamoto também refletiu sobre a origem da popularidade do Mario. Segundo ele, muitas pessoas perguntam por que um encanador bigodudo se tornou um dos personagens mais famosos do planeta, mas acredita que a resposta seja bastante simples: os jogos sempre foram, e ainda são, extremamente divertidos.
Há muito tempo as pessoas me perguntam: 'Como um sujeito de meia-idade e bigodudo como o Mario faz tanto sucesso?' — e eu sempre penso que essa é uma pergunta um pouco maldosa, não é? (risos). Eu mesmo já me perguntei isso. Mas, olhando de forma simples, ele se tornou um sucesso porque apareceu em jogos incrivelmente divertidos.Quando criamos um novo jogo, começamos pelos fundamentos. Não olhamos para os jogos que já existem pensando: 'Se mudarmos esta parte ou combinarmos aquele elemento, ficará divertido'. Primeiro, perguntamos: 'Por que as pessoas jogam videogame? O que realmente significa um jogo ser divertido?' E só depois analisamos o que existe no mercado e pensamos se podemos ir além.
Como exemplo, Miyamoto citou Splatoon, cuja ideia inicial surgiu da simples pergunta sobre como seria um jogo em que os jogadores competissem pintando territórios. Segundo ele, foi justamente esse conceito original que permitiu à franquia desenvolver uma identidade própria. Ele também mencionou Pokémon Red e Pokémon Green, explicando que ambos nasceram das experiências pessoais de Satoshi Tajiri com a coleta de insetos durante a infância. O desejo de trocar criaturas com amigos e completar uma coleção foi o ponto de partida que diferenciou a série dos RPGs existentes na época.
As declarações de Miyamoto mostram por que a Nintendo continua criando franquias capazes de atravessar gerações — em vez de seguir fórmulas prontas ou tendências passageiras, a empresa procura construir experiências fundamentadas em ideias originais e capazes de oferecer diversão duradoura aos jogadores. Essa filosofia ajudou a transformar personagens como Mario e Donkey Kong em ícones mundialmente famosos.
E você, querido(a) leitor(a)? Acredita que colocar a diversão acima das tendências de mercado é um dos principais motivos para o sucesso da Nintendo? Comente na seção abaixo ou nas redes sociais do Reino do Cogumelo!
