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Crítica: Super Mario Galaxy: O Filme é um triunfo astronômico sobre um cânone completamente fragmentado

Imagem: Reprodução/Nintendo/Universal Pictures

Após o fenômeno cultural de 2023, a parceria entre Nintendo e os estúdios Illumination retorna em 2026 com Super Mario Galaxy: O Filme, a peça central das celebrações do 40º aniversário da franquia Super Mario.

Sob a supervisão de Shigeru Miyamoto e Chris Meledandri, o longa-metragem de animação prometia transpor a escala épica e a gravidade revolucionária do Nintendo Wii para a linguagem cinematográfica. O resultado é um blockbuster de proporções astronômicas que, embora domine as bilheterias globais como o filme de língua inglesa mais rentável do ano, impõe aos mariomaníacos alguns dilemas: como conciliar o deslumbre visual com uma narrativa que trata sua fonte como acessório? Confira o veredito do blog Reino do Cogumelo a seguir!

Crítica: Super Mario Galaxy: O Filme

Imagem: Reprodução/Nintendo/Universal Pictures

Como era de se esperar, o roteiro de Super Mario Galaxy: O Filme padece do mesmo mal de seu antecessor, Super Mario Bros. O Filme, priorizando um ritmo incessante de ação em detrimento da maturação de seus arcos dramáticos — incluindo premissas que poderiam fundamentar novos pilares emocionais no cinema, como o inexplicável rancor do Toad contra o Yoshi, que acabou não sendo resolvido. Para quem enxerga a duologia original de Super Mario Galaxy nos jogos como uma obra-prima de contemplação e solidão espacial, a transposição para o cinema parece bem barulhenta. Em vez de abraçar a atmosfera onírica de Rosalina, o filme se parece, muitas vezes, com uma vitrine de marketing, conglomerando elementos de jogos como Super Mario Bros. 2Super Mario Odyssey e Super Mario Maker 2 para preencher lacunas.

O ponto mais sensível para os fãs é, sem dúvida, a reescrita sumária da origem de Rosalina. Ao reduzir sua participação a pouco mais de dez minutos de tela e remover o peso emocional de elementos como sua partida de seu planeta natal, a visitação de sua mãe em sonho, seu encontro original com as Lumas e a construção objetiva do Observatório de Cometas, o filme invalida vários sentimentos construídos em torno do Rosalina's Storybook original. Além disso, a decisão de transformar a icônica Galáxia do Portal Celeste (Gateway Galaxyem um tipo de "hub" de aeroporto burocrático — completo com tropos de comédia sobre atendentes lentos — e a transformação de reinos de Super Mario Odyssey (como Fossil Falls) em planetas isolados no espaço sideral demonstra que a produção está mais interessada na colagem estética do que na coesão de um universo expandido de Super Mario.

Imagem: Reprodução/Nintendo/Universal Pictures

Com tudo isso em mente, ignorando também algumas inconsistências nas mecânicas de gameplay dos jogos — como o uso do pincel mágico de Bowser Jr. (Super Mario Sunshine, GameCube, 2002) para emular em si mesmo o efeito característico da flor fenomenal (Super Mario Bros. Wonder, Nintendo Switch, 2023), o traje de sapo (Super Mario Bros. 3, NES, 1988) conferindo ao Luigi movimentos que não são característicos do jogo e o efeito de um minicogumelo desaparecendo com um golpe, e não sendo restaurado por um potenciador maior —, o roteiro encontra redenção em lampejos de genialidade, como a complexa relação de pai e filho entre Bowser e Bowser Jr.; a breve, porém memorável, aliança do rei dos Koopas com os irmãos Mario — um aceno caloroso às alianças formadas em jogos de RPGs da franquia, como Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars e Mario & Luigi: Superstar Saga; e à função do Yoshi de "cuidador de bebês", como no clássico Super Mario World 2: Yoshi's Island (SNES, 1995), completo com uma Super Scope, no melhor estilo Yoshi's Safari (SNES, 1993). Há quem tenha se lembrado até mesmo do Toad desesperado ao cuidar de uma recém-transformada bebê Peach no episódio “Dois Encanadores e Um Bebê”, do segmento animado de The Super Mario Bros. Super Show! (1989).

Com isso, pode-se dizer que sequências ininterruptas de referências, tanto visuais quanto sonoras, e inclusões de personagens não-Mario como Fox McCloud, Pikmin, R.O.B. e Mr. Game & Watch, por serem visualmente bem executadas na maior parte do tempo, são o suficiente para manter os fãs satisfeitos através de seu próprio senso de reconhecimento constante.

Mamma mia! O veredito do Reino

Super Mario Galaxy: O Filme é um colosso técnico. A trilha sonora de Brian Tyler, que reverencia as composições orquestradas de Koji Kondo e Mahito Yokota, é capaz de emocionar até ao mais cínico dos espectadores, enquanto a direção de arte entrega visuais que beiram a perfeição. É uma obra essencial da Nintendo no cinema, mas deve ser assistida com discernimento: trata-se de uma adaptação focada em entretenimento de massa e que aposta em tudo, menos fidelidade canônica.

Mas mesmo infiel à mística narrativa dos jogos e com escolhas questionáveis de adaptação, Super Mario Galaxy: O Filme é um emocionante espetáculo técnico que nos anestesia através do senso de reconhecimento constante — uma obra formada por uma constelação de Easter eggs e referências que não dependem uns dos outros para a criação de um universo maior.


Mesmo construído sobre retalhos de um cânone fragmentado, Super Mario Galaxy: O Filme é mais um triunfo astronômico na história do cinema.
Eduardo Jardim

Natural de São Paulo (SP), Eduardo "Pengor" Jardim é um criador de conteúdo, ilustrador e imaginauta. Criou o Reino do Cogumelo em 2007 e desde então administra e atualiza seu conteúdo, conquistando dois prêmios Top Blog e passagens pela saudosa Nintendo World.

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